Conhecendo Ana Maria – Leiga Sacramentina de San Martín

Na celebração Eucarística do domingo, dia 29 de novembro, às 11h, Ana Maria Rodríguez, realizou suas Promessas de Vida e passou a ser membro da Agregação de Leigos e Leigas Sacramentinos da Argentina. Vale destacar que Ana Maria é a primeira laica sacramentina da Comunidade de San Martín. Participaram desta linda celebração: Padre Leopoldo Jiménez, sss; P. Andrés Taborda, sss; Ir. Gilton Ferreira, sss; Os Leigos Sacramentinos da Comunidade de Basílica, em Buenos Aires – Marcelo Vásquez e sua esposa Maria Luz; familiares; alguns paroquianos e representantes do colégio. Além daqueles que acompanharam através das redes sociais.

Vamos conhecer um pouco mais a nova integrante da Agregação e da Família Sacramentina:

Nasci em Villa Ballester, San Martín, província de Buenos Aires em 22 de junho de 1961. Meus pais eram católicos, mas não praticantes, porém, recebi deles o exemplo de fazer o bem em tudo e o melhor possível. Foi no Colégio ′′ Sagrado Coração ′′ de San Martín que estudei o magistério em que pela primeira vez prestei atenção em Jesus de Nazaré e o amei! A partir daí, sempre estive ligada à Igreja Católica. Durante muitos anos fiz parte de um grupo de oração. E mesmo não tendo, a Eucaristia, um lugar central naquela espiritualidade, sim o tinha para mim.

No ano de 1984, eu me senti muito atraída pelo Congresso Eucarístico Nacional e, embora eu não soubesse então, hoje posso dizer que nesse momento nasceu a minha vocação mais profunda: a adoração eucarística. Sentia que Deus queria algo comigo, mas o ambiente religioso pastoral em que me movimentava não me dava a resposta. Então, eu pedi a Deus em Sua Palavra. Abri a Bíblia aleatoriamente: Jo 4, 5-42: o encontro de Jesus e a Samaritana. Lembro-me que senti (e até hoje me emociono) algo assim como um bombardeio de palavras: ′′ Se conhecesse o dom de Deus…”, ′′ Água Viva “…, ′′ Não volta a ter sede “, ′′ Dá-me dessa água…” e definitivamente: ′′ Aproxima-se a hora, já está aqui, em que os verdadeiros adoradores adorarão ao Pai em espírito e verdade…”

Tinha uma amiga com a mesma inquietação. Ela conhecia os padres de uma paróquia e pensou que poderíamos pedir autorização para fazer adoração eucarística. Embora não soubéssemos o que era ou o que faríamos, fomos!. A gente só queria poder rezar perto do Sacrário. O Pároco, Padre Hugo, nos disse sim; e lá amei pela primeira vez o Santíssimo e conheci a Congregação do Santíssimo Sacramento. Era a Paróquia Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, de San Martín.

Ficávamos de joelhos no chão, e em silêncio cantávamos, líamos a bíblia bem na frente do sacrário. Eram momentos tão intensos que sentíamos que devíamos compartilha-los com os demais. Contamos ao pároco e ele nos sugeriu adorar depois da missa, entre semana. Assim nasceram as adorações das ′′ quartas-feiras “. Naqueles anos um padre jovem, mas muito animado e contemplativo, nos acompanhava (nos ′′animava′′), o Padre Andrés Taborda. Em pouco tempo chegamos a ser muitos, incluindo a minha irmã Graciela Pataccini, com quem continuamos a adorar até hoje.

Padre Isidro Pissio, sss, que nesses tempos também estava em San Martín, era meu confessor e diretor espiritual. Ele me deu um livro: As Obras Eucarísticas. Não me cansava (não me canso) de ler essas belas palavras do Nosso Apóstolo da Eucaristia. E o Padre Eymard parecia-me (eu acho! ) tão intimo! Gostei (gosto) de ficar olhando para ele.

Mas as minhas atividades pastorais no grupo de oração levaram-me a servir em outra diocese e por vários anos perdi o contacto com a nossa paróquia e com o Colégio Eymard onde tinha trabalhado como professora.

Dedicada integralmente à criação dos meus filhos, Camila hoje de 31 anos e Hernan de 26, passei indo e vindo na docência e também estudando para roteirista. Após mais de 20 anos de casamento, eu me divorciei. Foi um passo muito difícil de dar, sobretudo pelo ambiente do grupo de oração, no qual eu continuava a participar. Aconselhavam-me a manter unida a mina família, mas nesse, tentar manter, eu perdia, cada vez mais, a alegria, a paz e a minha saúde. Sabendo que o Padre Isidro estava em San Martín, meu instinto de sobrevivência, acredito eu, me levou até ele e com ele se abriu um caminho de graça e libertação que mudou completamente minha vida… De volta à origem, reencontrei-me com a minha essência e consegui, apoiada por ele, enfrentar o que foi um divórcio muito difícil. ′′ Canta, canta, canta…”, me dizia o padre. Ele tinha me conhecido cantando, quando eu era garota.

Então, toda vez que ia falar com ele, levava meu violão e depois de falar ficávamos os dois no oratório. ′′ Vai lá em frente, canta para Jesus que Ele gosta de te ouvir “, me dizia. Então ele rezava no último lugar e eu cantava no primeiro. Essa imagem está gravada como uma das memórias mais cativantes da minha vida.

Padre Isidro estava sempre preocupado por mim, pela minha recuperação, e foi graças a ele que sarei as minhas feridas, por isso sempre digo que salvou minha vida. Com isto de ′′canta, canta “, convenceu-me a cantar nas missas da escola e depois na missa de 11h onde canto junto com outros irmãos há uns 10 anos. Em tantos anos de partilhar a Eucaristia já somos como uma família.

Em 2012 ou 2013, visitantes do Brasil vieram falar-nos sobre a Agregação de Leigos e Leigas Sacramentinos. Foi então que conheci o Ir. Gilton Ferreira, sss. Ele me contagiou a vocação! E é até hoje um dos meus irmãos mais queridos. Fui convidada para participar da formação, aceitei com muita alegria. Nesse momento o pároco era o Padre Daniel Dropulich. No entanto, mesmo havendo finalizado o ano de formação, o grupo dissolveu-se e juntamente com ele os leigos em San Martín.

Mas a semente germinou em outro espaço. Com a minha irmã Graciela Pataccini começamos a sentir o mesmo desejo, refundar as adorações do ‘ 84. Comentamos isso com duas irmãs da Missa das 11h: Virgínia ′′ Chabela ′′ De Souza e Cristina. E… elas estavam sentindo o mesmo!

Nos reunimos sob o bosque do nosso lindo parque e demos forma ao projeto da adoração semanal. Padre Leopoldo Jimenez, sss, nosso pároco, nos apoio muito e começamos. Ininterruptamente desde os primeiros dias de junho de 2018 até hoje adoramos todas as terças- feiras das 18h às 19h. Nem a pandemia tem nos impedido, pois fazemos a adoração ao vivo através do Facebook. Hoje, somos um grupo de aproximadamente 10/12 pessoas que fazemos adoração todas as terças-feiras.

Providencialmente me reencontrei, no caminho da vida, com aquele ′′ padre jovem, animado e contemplativo ′′ que me motivou, no ano 1984, a adorar. Padre Andrés Taborda. O mesmo padre e o mesmo ′′ entusiasmo′′ mais de 30 anos depois. Em muitas ocasiões falamos do tema dos leigos e foi ele que me chamou para voltar a fazer a formação este ano. Já que estava sendo realizada via virtual, era uma boa oportunidade. Falei com os irmãos do Cenáculo de San Martín e eles concordaram. Entrei em contato com a coordenadora local da Agregação, Maria Luz Rivas, que dissipou as minhas dúvidas ′′ astutamente ′′ com a famosa frase de Nosso Pai: ′′ Deus nos chama hoje…” Assim, Maria Luz me convenceu a fazer a formação e bem… aqui estou eu…

Sabendo ou sem saber A Eucaristia sempre foi o centro e o sangue do meu coração.

Naquele outubro de 2008 quando voltei me encontrar, pela primeira vez, com Padre Isidro, eu era como um cãozinho espancado, sarnoso, jogado na rua, abandonado. Ele, a comunidade da paróquia e a escola me adotaram, cuidaram de mim, curaram-me, levantaram-me.

Agradeço à vida por cada um deles, não quero nomeá-los porque com certeza me esquecerei de algum, porém, na pessoa de Marcela Ginietis, Diretora do Colégio Eymard, posso resumir e concentrar tantos que me estenderam a mão no momento mais difícil da mina Vida. E com esses fios que só Deus sabe como se entrelaçam na história, recebi o seu legado: dirigir a escola, pois ela se aposentou no ano passado.

Então, essas promessas de vida, são por mim e por todos. Sem sorrisos, abraços, palavras de conforto e contenção não teria chegado até aqui… Obrigada Família Sacramentina!

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