Celebrando os Votos Perpétuos: entrevista com o Irmão Haroldo

Conta para a gente, de onde você é? Onde nasceu? É filho único?

Eu, Francisco Haroldo Paiva Alexandre; natural de Canindé, CE, onde nasci e com os 11 anos, minha família veio morar na capital, Fortaleza, CE. Minha família é composta por 7 pessoas: meus pais (Raimundo Alves Alexandre e Maria Paiva Alexandre), e os meus irmãos (Antônio José P. A – Michael Jackson P. A – Nadia P. A – Naziliane P. A). Minha família é natural de Canindé, mas meus dois irmãos mais novos, são de Fortaleza. Até hoje, somos residentes em Fortaleza.

Como se deu seu primeiro encontro com a Comunidade Sacramentina?

Eu conheci uma irmã, Elenice, do “Sevicio Christian”, que faz parte da nossa família sacramentina, e ela me levou para conhecer os sacramentinos, em São Benedito. Foi então que fiz o primeiro contato com os padres, conheci o padre Jackson Frota, SSS. Sentamos e começamos a falar, sobre a comunidade religiosa, e ele me fez o convite para conhecer os sacramentinos no ano de 2007. Foi quando fiz os encontros vocacionados. E no ano de 2008, fui convidado para entrar na comunidade religiosa, e no mesmo ano fiz o propedêutico, na comunidade de São Benedito, onde vivi 3 anos mas, no total, morei 4 anos morei nessa comunidade, onde fiz Filosofia. Nesse período ,o meu promotor vocacional, foi Padre Antônio (Toninho), SSS, e meu formador foi Padre Mateus Jesus, SSS.

Em que momento da vida você percebeu que seu compromisso com a fé e com a Comunidade Sacramentina representava um verdadeiro chamamento divino?

Antes de conhecer os sacramentinos, eu era dos Franciscanos, OFM; fazia os encontros com eles, no bairro Otavio Bonfim. Com eles, eu não me sentia bem, faltava algo, não estava feliz, eu precisava de algo que enchesse meu coração e espirito. Eu não me via como frei. Certa vez, fiz minha oração pessoal no meu quarto, e falei com Deus, em oração: “Senhor me dar uma luz, devo ficar aqui, ou devo sair”.

Foi então que sonhei, celebrando uma missa. Eu estava de branco, e não de marrom. Eu caminhava de túnica branca. Acho que foi a resposta de Deus em minha vida. Então pedi um tempo dos franciscanos e passei um ano trabalhando fora, quando conheci a Irmã Elenice. E, até hoje, estou nos sacramentinos, muito feliz e contente.

Então, foi aqui nos sacramentinos que meu coração se preencheu de amor, alegria e animo, pois me identifico muito com a mesa familiar e o carisma da congregação, e os momentos eucarísticos ao redor da mesa eucarística. Os momentos fraternos, ao partir o Pão em torno da mesa. Foi onde eu conheci o precioso Divino Eucarístico, “Jesus Eucarístico”.

O que representa, para você, como religioso sacramentino, a confirmação dos votos perpétuos?

Representa o mais sublime do amor de Deus em minha vida, uma entrega de corpo e alma. Esse momento foi muito especial na minha vida, eu fiz uma oração que representa tudo isso, esse amor de Deus e os votos Perpétuos:  “Diante de vós, Senhor, coloco minhas fraquezas e minha responsabilidade e, ao lado da cruz, ofereço minha alma completa, a fim de que me ajude a ser fiel a seus preceitos e ensinamentos. Senhor, vós colocastes em minhas mãos a honra da Glória e a responsabilidade de servir-te sempre. Conceda-me a alegria e a capacidade de aceitar-me e de assumir com responsabilidade o verdadeiro dom de Deus. Mantenha meu coração sempre ardente e fiel, e que minhas ações estejam diante de vós todo o tempo. Faça com que o meu esforço esteja sempre em seu domínio e minha obediência se torne um caminho seguro em seu chamado.

Senhor, ajuda-me a ser obediente em tuas Palavras, vós me chamastes para servir e ser seu servo; decidi viver sob seus cuidados. Dá-me a coragem e a força de levar a Cruz até o calvário, Pai Santo. Eu me coloco em suas mãos, faça-me obediente a vossa Palavra, para ser fiel ao seu chamado. Confio minha alma a vós, entrego todo o meu amor e minha disponibilidade a vós. Dá-me a serenidade e a humildade para reconhecer meus erros e me colocar em suas mãos sem medida, porque vós sois meu Pai e minha salvação.

Eu, […] confio em vós ó Senhor, o Senhor é minha rocha e minha fortaleza, retira a angústia do meu peito, porque vós sois minha luz; “na angústia, invoquei ao Senhor e clamei ao meu Deus”.  Pois confio em ti, Senhor, mostra-me os teus caminhos e ensina-me a sabedoria, para ser misericordioso com meus irmãos. Guia-me fielmente, ensina-me, porque tu és o Deus que me ampara e me salva, pois em ti confio piedosamente. Lembra-nos, Senhor, da sua ternura e do seu amor, pois meus pés estão firmes no caminho e retos em suas obras, e bendirei para sempre o seu Nome, Senhor. Amém”.

Essa oração representa, esse sentido dos votos perpétuo em minha vida, foi uma entrega e uma vivência do amor de Deus e o cuidado do mais sagrado que é a minha vocação.

Deixa uma mensagem para aquelas pessoas que sempre estiveram ao seu lado, seja apoiando seu caminho ou rezando por você, seja aquelas que te ensinaram a professar a fé sacramentina, além daqueles que querem estabelecer votos perpétuos.

Nesses momentos de dificuldades e tristezas, somos chamados a vivenciar um amor exagerado, vivenciar uma entrega total a Deus, e a buscar no outro uma resposta, onde só nós podemos responder. O Deus que está no outro é o mesmo que está em nós. Faz 12 anos que estou no mesmo caminho, buscando uma resposta e ainda não encontrei essa resposta. Deus tem colocado pessoas em minha vida como exemplos: Professores, amigos, família e conhecidos. Essas pessoas ainda não conseguem responder à minha pergunta. Mas são pessoas que estão no mesmo barco, no mesmo trem e que caminham comigo, sempre.

Hoje, estamos passando por tempos difíceis, mas somos fortes e guerreiros, somos iguais ao discípulo de Jesus, quando estava no mar pescando e veio uma tempestade; Pedro gritou, “Senhor, salva-me” (Mt 14, 30). Às vezes, precisamos escutar Deus e clamar em silencio, orar muito e pedir-lhe. Passei por momentos alegres, felizes, bons e festivos em toda essa minha vida vocacional, mas também, passei momentos cruéis, e hoje estou aqui, forte, guerreiro. Sei que ainda não cheguei na estação final do trem, faltam várias estações por onde devo passar.

Então, sejam fortes e guerreiros na fé, sejam esse discípulo (Pedro), o discípulo de Jesus, mesmo perdendo a fé, ele gritou a Deus e foi ouvido. Mesmo que a gente ande sobre as águas, isso significa, humanamente falando, a impossibilidade, mas nossa fé é algo grandioso, temos que confiar em Jesus. Pedro, quando afundou, ele pensou e depressa ágil através da fé. É como se a gente tivesse pensando e clamando a Deus; “Vamos superar tudo isso juntos”, o mar vai acalmar. Essa é minha mensagem, aos meus amigos, famílias e conhecidos. Que a Paz de Cristo nos fortifique nesse mar agitado. Amém.

Foto: Pascom Santuário.

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