AMOR EXAGERADO – Entrevista com Pe. Vittorio Baggi, sss

A série Amor Exagerado, do Boletim Sacramentinos, destaca, nesta edição, a vida de Pe. Vittorio. Uma história bonita, que tem início na pequena comunidade de Sorísole, na Itália, passa por Buenos Aires, na Argentina, e desembarca no Brasil, mais precisamente em Caratinga (MG), onde Pe. Vittorio Baggi realiza um importante trabalho no Santuário de Caratinga – Paróquia do Coração Eucarístico de Jesus.

Convidamos você a conhecer um pouco mais sobre o querido, italiano de nascença e brasileiro de coração (sem nunca esquecer suas raízes), Pe. Vittorio.

Boletim Sacramentinos: Quem é Pe. Vittorio?

Pe. Vittorio: Talvez seja a pergunta mais difícil, contudo, me apresento. Nasci na Itália aos 09/05/1940. Meus pais, já falecidos, foram Pedro e Josefina. Eu sou o caçula de 6 irmãos. Sobrevive somente minha irmã, Maria, com 87 anos. Minha família era simples, dois dos meus irmãos tomavam parte muito ativa na paróquia e na vida social, gostando de teatro e de música. O mais velho, Antônio, foi convocado pelo comando do exército para a II Guerra Mundial. Voltou bem provado e doente, em 1946 O lugarejo onde nasci, Sorísole, contava somente um mil habitantes naquela época. Tudo girava em volta da Igreja como edifício e instituição, Ela era o centro da vida litúrgico-orante, bem como espaço e lugar de socialização. Ainda hoje, continua sendo fator e propulsor da vida cristã e social.

Meus pais eram católicos praticantes. Minha mãe, contudo, ocupa um lugar especial. O pai ficou bastante ausente da família por estar trabalhando como marceneiro em Paris e Genebra por alguns anos. Aos 9 anos passei a ser coroinha, Serviço que acolhi com muito entusiasmo até a entrada no seminário sacramentino.

Boletim Sacramentinos: Como foi seu primeiro encontro com a comunidade sacramentina?

Pe. Vittorio: Após a morte da mãe, aos 05/01/1952, apareceu em casa o Pe. Francesco Parati, sss, que me convidou a conhecer o seminário. Então, aos domingos, frequentava a comunidade, participando da vida dos seminaristas. Gostei demais. Assim, o mesmo me convidou a iniciar minha experiência como seminarista.  Entrei aos 02/10/1952. Fiz com proveito o triênio da escola média e o biênio do Ginásio. Logo seguiu o curso do Liceu Clássico. Após o primeiro ano, contudo, fui convidado a fazer o Noviciado. Foi uma experiência muito preciosa de 2 anos. Iniciou aos 29/09/1958 e finalizou aos 29/09/1960 com a primeira profissão. Logo em seguida, completei o Liceu Clássico. Depois, fui transferido para o sul da Itália para fazer o curso de teologia.

Após quinze anos de formação, fui ordenado sacerdote aos 03/12/1966. No ano seguinte, fui transferido para uma cidade bem próxima de Veneza, onde a Congregação tinha um belo e grande seminário. Me foram confiadas as tarefas de Diretor Espiritual, de Professor e Assistente dos seminaristas. Foi uma experiência exigente, sem dúvida, mas, ao mesmo tempo, fecunda e positiva. Após o Concílio do Vaticano II (1962-1965), havia necessidade e desejo de atualização em todos nós. Graças a Deus, em setembro de 1970, fui enviado a Roma com outros dois colegas, para um biênio de estudos teológicos e pastorais que se revelaram muito frutuosos para minha vida e missão sss.

Voltei de novo para o mesmo seminário onde continuei minha missão. Foram mais 4 anos na formação inicial de 60 seminaristas até 1976. Em outubro deste ano, fui convidado a concelebrar a Eucaristia, na matriz do meu lugarejo, com mais 6 sacerdotes concidadãos. Durante aquela concelebração, senti e acolhi o chamado para continuar a missão no Brasil. Foi uma surpresa para mim também, pois, antes, havia rejeitado o convite de trabalhar ou na África ou no Brasil. Porém, o Provincial da época, queria que fosse para a África. Contudo, aconteceram coisas que mudaram tudo. O Superior Geral me pediu para assumir o seminário de Caratinga que precisava de formador naquele momento crítico. De fato, me embarquei para o Brasil aos 20/01/1979. Porém convidado pelo Conselho Geral, desembarquei em Buenos Aires a fim de participar do Encontro Latino Americano Sacramentino. Terminado o encontro, segui viagem, desembarcando em Caratinga em 07/02/1979. Ao longo destes quarenta anos, prestei serviço em outras comunidades sacramentinas, até chegar, pela sexta vez, novamente, a Caratinga no ano passado.

Boletim Sacramentinos: Neste momento, como vem enfrentando o período da pandemia?

Pe. Vittorio: Posso dizer que estou conformado com a presença da pandemia, embora nem sempre plenamente fiel a todas as orientações das autoridades sanitárias. Estou vivendo com leveza e coragem, por mérito, sobretudo, de nossos jovens religiosos escolásticos que animam e coordenam nosso estilo de vida com sua presença, sua sensibilidade e criatividade. Ai de nós se faltassem eles, ficando só os 4 Padres e o Diácono António Rocha! Seria uma vida bastante monótona e chata. De fato, nossa vida é bastante monacal, pois não é possível voltar à vida pastoral plena. Enquanto isso, recomendamos aos fiéis a importância de utilizar os meios de comunicação social que permitem fazer uma bela experiência como membros de famílias que são ” pequenas igrejas domésticas “.

Boletim Sacramentinos: Deixe uma mensagem de fé e amor para toda a comunidade sacramentina

Pe. Vittorio: Esta tal de pandemia que tarda a sumir! Contudo parece que permite conviver por mais tempo com familiares, permite um conhecimento maior entre nós, relações mais profundas e afetuosas, proporciona maior facilidade para viver nossa vida orante, fraterna e servidora. Fortalecendo os vínculos sagrados que nos unem como discípulos de Jesus Cristo, reinventamos nossa vida, inspirados na proposta e no testemunho de Jesus. Várias formas de encontro com Ele tornam-se mais fáceis para todos nós, na medida que desejamos segui-lo e não simplesmente manter a rotina duma vida medíocre. Quem sabe, possamos dedicar-nos a boas leituras para ter uma mente mais lúcida e aberta a todos os valores humanos e cristãos, maior capacidade crítica e consciente da vida social, da vida da Igreja, da nossa responsabilidade de cidadãos e católicos, no intuito de dar nosso testemunho e colaborar para um mundo melhor. Todos somos capazes de superação e aperfeiçoamento pelo fato de ter um maior conhecimento e compreensão da Eucaristia, posta no centro da nossa família eymardiana.

Não sejamos nem tímidos nem omissos. Além do Senhor, nosso Mestre e Senhor, como modelo supremo de vida, temos também sua mãe Maria como exemplo fúlgido ao lado de santos e santas, temos, enfim, a palavra e as orientações do Papa, do Magistério dos Bispos e, por fim, a riqueza do testemunho, da palavra e do carisma de S. Eymard para nunca nos sentirmos abandonados e desmotivados no caminho da vida. Baste a famosa e inesquecível afirmação de S. Pedro Julião Eymard. ” O AMOR TEM QUE SER EXAGERADO! ”

Fonte: Boletim Sacramentinos

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